quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Sonho de Criança


Dezembro começa e com ele chega a época de Natal. Esse período me faz lembrar muito da minha infância e do quanto eu esperava para chegar dezembro. Um pouco pela ansiedade pelas férias escolares e um pouco pelo desejo insaciável de criança por presentes. Quando fui ficando mais velho minha angústia pelo último mês do ano foi se transformando. Começava a olhar o calendário ao lado da tabela do Campeonato Brasileiro e imaginar que meu time pudesse me trazer alegrias nesse final de ano. (Se eu contar ninguém acredita, mas adoro quando meu time joga perto ou no dia do meu aniversário, em agosto. Algo me faz crer que posso ser presenteado com uma vitória).

Por vezes peguei as tabelas dos jornais, aquelas que saem logo no início do Campeonato e são completinhas, para fazer cálculos e tentar imaginar uma projeção para que meu glorioso time pudesse me dar uma grande alegria em Dezembro. O problema é que o futebol é um jogo, e como em todos os jogos há vencedores e perdedores. Então nem sempre fui feliz nas minhas projeções. Mas nunca desanimei.

É impressionante como o futebol consegue mexer com a imaginação de uma criança e como consegue fazer com que até hoje, um homem de quase 30 anos sonhe com um momento mágico como chutar uma bola e estufar uma rede, dar um belo lançamento ou até mesmo fazer uma grande defesa. Impressiona mais ainda saber que mesmo diante de grandes decepções e de tanta sujeira, o amor pelo esporte (aqui leia-se muito mais o futebol) não deixe de inflamar o peito ou encher os olhos de lágrimas, sejam elas de emoção ou tristeza.

Na essência podemos entender que o futebol faz com que sejamos eternamente crianças. Jovens correndo atrás de uma bola e brincando; Brincando de sermos adultos todos os dias, mas sem deixar nosso principal brinquedo muito tempo encostado em um canto ou guardado embaixo da cama.

Esse ano os botafoguenses comemoram uma conquista de Série B e com cabeça erguida voltam para a elite do futebol brasileiro. No entanto, a diretoria já começa de pé esquerdo com a revitalização do elenco. Se não há dinheiro para fechar uma renovação com Neílton, quais serão os reforços para a temporada? Sem contar a briga com o Flamengo pelo William Arão. Jogador que não é nada demais e que tem grandes chances de ter o mesmo destino do Almir, contratado para fazer número no banco de reservas do Flamengo.

Os vascaínos voltam ao calvário recente deles. Uma administração bagunçada e que não assume os problemas sérios do clube mais uma vez diminuí o Vasco de maneira covarde. Como o segundo turno do Brasileirão deste ano foi digno, acredito que o clube da colina não tenha dificuldades para voltar ao lugar de onde não deveria ter saído por três oportunidades. Pelo menos agora já sabemos que o coronelismo no futebol, se não morreu, está com seus dias contados.

O Fluminense tem muito trabalho pela frente. Com um elenco com nomes de peso e atuações sem brilho, já está na hora de serem mais humildes e montarem um time mais eficiente mesmo que sem muito glamour. Vamos aguardar.

Rubro-negros estão afoitos e vão passar o fim de ano imaginando que no ano que vem serão uma máquina de conquistas. Devo concordar que a contratação do Muricy Ramalho surpreendeu e impõe respeito. Um técnico vencedor, porém não está muito acostumado a lidar com clubes sem muita organização extra-campo. ("Ahhh mas o Flamengo está se organizando!!!" Está tão organizado que me afasta 5 titulares por eles fazerem uma festa em vias do clube buscar uma vaga na Copa Libertadores da América. Muito sensato! Só que não!). Tio Muricy é bom mas não faz milagre e pode ter certeza que vai mudar muita coisa no Flamengo. Acho que teremos um Urubu forte para o ano que vem. Porém, se a diretoria cometer os mesmos erros do São Paulo nesta temporada, acredito que o técnico não dure muito tempo no cargo.

Não posso fechar esse texto sem falar o grande absurdo que é o nosso futebol. A temporada acabou e o único técnico da primeira divisão mantido no cargo foi o técnico do time Campeão. Ou seja, todos os demais clubes estão insatisfeitos com seus treinadores? Os treinadores estão insatisfeitos com os jogadores? Mano Menezes na China? Existe futebol na China? Deivid é técnico de futebol o suficiente para assumir o Cruzeiro? São tantas dúvidas....não sei nem por onde começar..estou confuso ainda...mais pra frente vamos resolvendo..

Ahhh e a final da Major League Soccer? Que final! Acabei de descobrir que meu sonho de criança está cada vez mais próximo. Se eu trabalhar duro e perder alguns quilinhos indesejáveis jogo fácil em qualquer clube dos Estados Unidos! Exageros à parte. Nível técnico ridículo para uma final de campeonato.

Para terminar: A minha frase da semana fica com o Renato Augusto. Perguntado em quem teria votado como craque do brasileirão o jogador não fez cerimônia. "Eu votei em mim mesmo. Se eu não votar em mim quem vai votar?". Acho que muitos votaram hein....



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

DESABAFO DO ALÉM



O time reagiu, jogou muito melhor, não desistiu e em muitos casos fez muito mais do que o limitado elenco deixava de esperança para o campeonato. Só que a ridícula campanha em mais da metade da competição rebaixou pela terceira vez em sua história o Club de Regatas Vasco da Gama.
Não é difícil apontar os erros que levaram o clube para mais um vexame. O primeiro turno digno de time da série D definiu o futuro da equipe. Agora é repensar, de uma vez por todas, aonde foram os erros e buscar forças para acabar com essa sequência sem fim de vexames.
A conquista do estadual após 13 anos de espera criou uma certa expectativa em relação ao time para o restante da temporada. Jogadores de qualidade muito duvidosa permaneceram insistentemente no time titular, “craques” não renderam nem metade do esperado.

O time começou com Doriva. O esforçado técnico campeão estadual insistiu em manter o mesmo esquema e peças que o time apresentou no estadual. A mediocridade de diversos jogadores ficou exposta a nível nacional e com a falta de reação da equipe, tivemos a queda do técnico que semanas antes tinha negado proposta do Grêmio. Celso Roth assumiu o elenco e desde o primeiro treino (no qual debochou, alto e em bom tom, de um erro de português do atacante Rafael Silva) já não tinha simpatia nem a lealdade do elenco. Escalações esdrúxulas, insistência com jogadores que nunca renderam nada se aliaram a falta de padrão de jogo e o mesmo saiu na virada do turno. Talvez se nem tivesse vindo, a situação não teria chegado a este ponto.

Jorginho e seu auxiliar Zinho são um capítulo a parte: Treinaram, insistiram, conquistaram o elenco com serenidade, paciência e principalmente na conversa ( cena comum é ver os jogadores comemorando gols abraçando os dois). Mesmo eliminando o maior rival na copa do Brasil, o time ainda fez vergonha no brasileiro e só engrenou após a humilhante derrota para o Internacional de Porto Alegre. Apesar do time em alguns momentos da partida usar muito da retranca, é inegável a melhora que ainda recebeu reforços como: Jorge Henrique, Nenê, Bruno Gallo, Julio César e Diguinho que ajudaram sensivelmente na evolução da equipe. Pena que tarde demais...

Brigas internas na diretoria, jogador bancando o “leva e trás” e dirigentes sendo desautorizados pelo filho do presidente: eram notícias comuns de serem ouvidas nos corredores de São Januário. Juntando isso a “vascofobia” (pessoas que odeiam/não gostam do clube e nem sabem explicar) e “euricofobia” (pessoas que acham que ele é o único culpado pelas mazelas do futebol carioca e nacional) já instalada, o que era ruim tomou dimensões ainda piores.  Coincidência ou não, após o filho do presidente tomar distancia do futebol, veio a melhora na campanha.


Faltaram também jogadores de maior e melhor qualidade ao longo da competição. Imaginem como deve ser triste o técnico ficar em duvida entre Thalles, Riascos ou Leandrão? Christianno (nome pomposo e futebol horroroso) ou Jean Patrick ? Jomar ou Aislan?
Para um clube que já teve grandes craques nas mais diversas posições é dolorido aturar esse tipo de jogador, não acham?

Nos últimos 15 anos o clube conquistou apenas dois estaduais (2003 e 2015) e uma Copa do Brasil ( 2011). Fora à série B do ano de 2009. É muito pouco para um clube grande. Complicado até mesmo falar que vive uma “má fase” depois de tantos anos passando sufoco. É inaceitável que o Vasco tenha se acostumado a viver esta situação. É inaceitável ser rebaixado pela terceira vez em 8 anos. É inaceitável a forma como uma parte da torcida ( a outra parte fechou com a diretoria/jogadores/técnico e carregou o time no colo além do limite) parece aceitar a situação atual sem esboçar uma reação. Não adianta apenas culpar a imprensa...quem comandou e comanda o clube tem sim uma grande parcela de culpa por tudo que vem acontecendo.

2016 será um ano complicadíssimo: Olimpíadas, crise política/econômica, poucos estádios disponíveis para jogos e adversários escassos, disputa de mais uma série B. Se o ano que ainda nem chegou parece complicado, imagina quando começar de fato?


PAPO RETO COM O SERGINHO:


- A situação do Vasco era “simples” de explicar: O clube respirava por aparelhos, já doou 3 ou 4 orgãos vitais e  a família já autorizou desligar os aparelhos. Só um verdadeiro milagre poderia salvar o time;

- Um clube que usou e abusou de jogadores como Christianno não merecia sorte melhor no campeonato;

- Desde o primeiro turno é comum ver polêmicas sempre em favor dos catarinenses. Dava para imaginar algo diferente para este domingo?

- Presidente Eurico Miranda: Assuma suas responsabilidades e comande a barca para 2016 começando dentro de sua diretoria. E por favor: Chega de briga por lado de arquibancada, “o respeito voltou”, "clássico a parte", “eu sou o grande reforço”. Use o seu tempo para coisas úteis em prol do clube e o suba ainda em vida !

- Em 2009 a torcida carregou o time no colo. Em 2014 o entusiasmo e apoio não foram nem de perto o mesmo. O que esperar de 2016?

- Na década de 1940/1950 meus avós e bisavós tinham inspiração no expresso da vitória, Entre 1970/1980 meu pai viu o ex-presidente atuando. Eu vi 3 brasileiros, Mercosul e Copa do Brasil. Será que meus filhos irão conseguir ver algo ?