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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Já temos um campeão?

 
    

            Em um romance policial, a dinâmica necessita de um assassinato e de suspense em torno do crime. Para que o mistério valha a pena, é necessário que haja um jogo de gato e rato entre, respectivamente, leitor e escritor. E se o escritor adiantar o assassino, a história ainda terá a mesma graça? Os supostos assassinos do Campeonato Brasileiro chamam-se Douglas Friedrich, Simão e Júnior Dutra, membros de um grupo chamado Avaí. Eles são acusados de assassinar o suspense a sangue frio. O primeiro deles, o goleiro, é responsável por premeditar várias defesas miraculosas e pegar um pênalti; os demais são os autores de dois gols que derrubaram a vítima, reconhecida como Grêmio. Há 29768 testemunhas oculares de um crime que pode tornar inédito o andamento desse campeonato. O tricolor foi enterrado vivo em seu jazigo. Ainda há esperanças mínimas de que possa imitar Lazaro e ressurgir diante de seus torcedores. Foi embora o desejo de ver a perseguição entre a tática de Carille e o jogo bonito de Renato Gaúcho.
 O Campeonato Brasileiro está ganhando contornos mais claros nessa décima segunda rodada. A disputa acirrada não deve ser uma característica dessa edição. O campeão mimetiza um Usain Bolt: bota dois corpos de vantagem e sorri para as câmeras. É a organização tática, o jogo de xadrez do Corinthians que puxa a fila com nove pontos de vantagem para o novo segundo colocado, o Flamengo. O rubro-negro carioca tem um plantel bom, mas ainda não se confirmou como um time estabelecido, confiável. Empolga observar Diego e Everton Ribeiro juntos, mas resta saber se a defesa vai colaborar para o êxito. Santos, Grêmio, Palmeiras e Atlético-MG têm oscilado muito. O Botafogo só tem olhos para a Libertadores. O resto briga para figurar em uma Sul-Americana ou para não ter sua escalação narrada por Silvio Luiz na Rede TV! É uma tarefa complicada buscar esses nove pontos de diferença contra um time que prima pelo equilíbrio e que está invicto.
Três partidas serão determinantes para que o Corinthians tenha uma estrada segura até o fim do torneio. São os jogos contra o Palmeiras (13ª rodada/fora), Flamengo (17ª rodada/casa) e Atlético-MG (18ª rodada/fora). Caso vire o primeiro turno com uma vantagem igual a oito pontos ou mais, o caneco já pode ser embrulhado para presente e arranjado na sala de troféus da Arena Corinthians. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

"Fair Play"


Em 12 de julho de 1998, aos 30 minutos do segundo tempo, com o jogo final em 2 a 0 para a França, o meia Rivaldo decidiu devolver a bola para os oponentes. O resultado disso foi que Edmundo quase agrediu o autor da cortesia. Comentando o jogo para a Rede Globo, Romário fez eco à fúria do animal e ainda duvidou da contusão de Zidane, que estava caído no gramado. Recentemente, no programa Bola da Vez, da ESPN, o baixinho voltou a criticar o fair play, mais especificamente em uma situação envolvendo Rodrigo Caio e Jô. Pelo menos a distância de quase vinte anos nos permite ver que Romário é fiel às suas convicções.
O ano de 2014 arquivou um lance bem inusitado. Um jogador do Dinamo Tbilisi, da Georgia, se contundiu e necessitou que o jogo fosse parado. O rival jogou a bola para que isso acontecesse. No entanto, quando foi devolver o gesto, o meia Xisco Muñoz, do Dinamo, deu um chutão e encobriu o goleiro do outro time. Gol involuntário. A solução foi deixar que o adversário fizesse o gol de empate para reparar o acidente.
A expressão inglesa “fair play” quer dizer jogo limpo. Isso se encaixaria de várias maneiras no mundo do futebol. Poderíamos afirmar que é jogo limpo, por exemplo, preservar a integridade física do colega de profissão, devolver a bola depois de um gesto de solidariedade, socorrer o adversário em um acidente e manter a esportividade diante de resultados adversos. E nem sempre é o que vemos no mundo das quatro linhas. Por esse motivo, um gesto como o de Rodrigo Caio, zagueiro do São Paulo, que informou o juiz sobre uma questão que o desfavorecia, é tão incomum. Deveria ser regra, coisa corriqueira.
Segundo informações da mídia, observamos apoio e descontentamento dentro do próprio São Paulo. Alguns jornalistas informaram sobre o ataque de fúria de Rogério Ceni depois do intervalo, quando o tricolor já perdia por 2 a 0. E também há a declaração de Maicon, que afirmou preferia ver a mãe do adversário do que a dele, em desaprovação ao gesto de seu companheiro de zaga. O destempero se ampara no fato de que Jô estaria suspenso se Rodrigo não tivesse alertado o juiz. Como em uma tragédia grega, o autor do gol do Corinthians (em impedimento) foi Jô. Depois disso, a imprensa pediu a Ceni que dissesse se Jô teria que ter fair play no lance. Insinuavam que o atacante teria que se acusar na irregularidade. Seria possível? Ou você pensa que um jogador seja capaz de medir um lance de centímetros de infração em todos os lances equivocados?
A verdade é que os dirigentes, torcedores, a mídia e jogadores deixaram que o futebol virasse uma batalha campal. Eu não acredito que o futebol seja um mero esporte, mas não creio que cada jogo e cada lance controverso tenha que ganhar ares de batalha entre Trump e Kim Jong-Un. O esporte bretão necessita de uma leveza bem maior.
Também não é saudável se render ao lado extremo do politicamente correto. Os gols de qualquer tipo (exceto com a mão), um drible desconcertante, canetas, balões e o drible da foquinha (lembram do Kerlon?) são parte do repertório do futebol como arte. E tem que esbraveje contra isso e contra certos tipos de comemoração. Garrincha não se criaria nesses mundos alternativos que o politicamente correto extremo gera. Ser desonesto de forma deliberada é que não faz bem ao mundo do futebol. Mais Rodrigos Caios, menos Del Neros.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Nem tanto ao céu...nem tanto a terra



Na noite desta quarta-feira, dia 4 de julho de 2012, o Corinthians pode se sagrar campeão da Copa Libertadores da América pela primeira vez em sua história. O título é motivo de frenesi por toda a torcida do alvinegro pelo país. No entanto, o estardalhaço da mídia em cima da partida com o tradicional argentino Boca Juniors atrapalha um pouco do instinto nacionalista nestas competições internacionais.

Basta pensarmos no que aconteceu a cerca de um ano atrás, quando o Santos de Neymar e Ganso levantava a Taça da América em uma partida muito esperada por todos os amantes do bom futebol. Não conheço muitos que secaram o time da Vila Belmiro no ano passado, pelo contrário, sei de muitos que ficaram grudados na tela da tv para ver excelente atuação da excepcional dupla santista.
Ok...É verdade que o ex-clube de Pelé já havia levantado o caneco outras duas vezes e já era a quarta final que disputara, mas em 2003 - ano da outra dupla de jovens talentos santistas: Diego e Robinho -  também sucumbiu para o adversário do Corinthians na noite de hoje.

Alguns irão dizer que em 2008 houve grande torcida contra o Fluminense, ou que nas edições anteriores Palmeiras e Vasco também sofreram pressão dos compatriotas que não gostariam que o título viesse para o Brasil. Mas em todos esses casos uma coisa era mais relevante, a rivalidade regional. Contra Fluminense se juntaram as torcidas dos outros três grandes do Rio de Janeiro, mas a comoção por um título inédito não chegou a incomodar os grandes de São Paulo, por exemplo.

Entendo também que a rivalidade em São Paulo seja muito maior e mais acentuada, além de que, quando se fala em Corinthians, toda loucura é pouca para definir o sentimento de seus torcedores. Mas acredito que o grande diferencial na comparação, em especial com o triunfo do Santos no ano passado, esteja ligado ao futebol que vem apresentando a equipe do Parque São Jorge. Enquanto o Santos de Neymar e Ganso restaurava a alegria de torcer pelo bom futebol, que teve seu auge nas equipes lideradas por Pelé e Garrincha nos anos 60, acentuando também o sentimento do brasileiro de ter de volta o futebol arte, o Corinthians do técnico Tite joga feio. Chegou a final da Libertadores invicto, com a melhor defesa da competição, vencendo quase todas as partidas pelo placar mínimo (1x0). Não que seu elenco seja fraco - o que não é. Mas chega ser covardia comparar as jogadas criadas por Emerson e Paulinho com o majestoso talento de Neymar e Ganso em 2011.

O futebol pragmático está na moda. Vide a seleção espanhola, que muitas vezes prefere cansar o adversário com seus toques burocráticos no meio de campo, do que partir para cima atrás do gol. Méritos ao Tite que soube armar uma defesa sólida e pode conquistar a América de maneira invicta esta noite.

Mas cá pra nós...o time do Corinthians joga em casa, é melhor do que o do Boca, mas os argentinos são danados quando se trata de final de Libertadores. Podem até perder hoje à noite, mas não vão entregar a taça fácil.

Um novo Maurício de Nassau

A chegada do holandês Clarence Seedorf ao Botafogo teve um destaque interessante aos olhos do blogueiro Márvio dos Anjos. Ele compara - dentro das devidas proporções, é claro - o jogador ao colonizador holandês Maurício de Nassau, que teve papel importante no desenvolvimento da cidade de Recife-PE, onde permaneceu durante alguns anos do século XVII. Vale a pena conferir http://globoesporte.globo.com/platb/marvio-dos-anjos/2012/07/01/seedorf-de-nassau/. Concordei plenamente sobre o aspecto de desenvolvimento do futebol brasileiro, ainda mais às beiras de Copa do Mundo.