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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Botafogo x Vasco - Uma análise dos gols sofridos pela defesa mais vazada do Brasileirão 2017


Apesar dos quatro níveis do curso da Uefa de Milton Mendes, o Vasco sofre derrotas porque erra na marcação no nível mais básico do futebol de várzea. Todos marcam a bola em uma situação de cruzamento. Não estando no confronto do atleta que tem a bola, o jogador mais peladeiro tem a consciência de que o olhar dele deve estar preso aos olhos e ao corpo de seu adversário. São equívocos de fundamento que podem ser corrigidos com treinamento voltado para a deficiência.
No lance do primeiro gol botafoguense, enquanto Bruno Silva se preparava para alçar a bola na área, três jogadores do Vasco apreciavam a movimentação do alvinegro. E quando aconteceu o cruzamento, Paulão e Breno eram os responsáveis por interceptar a bola e marcar os finalizadores. Apenas Roger se colocou no caminho da bola. Breno não marcava ninguém e só admirava a bola. Paulão ficou olhando Roger avançar porque se distraiu com a bola no ar. Resultado: Roger passou no meio dos dois zagueiros e desviou para o gol de Martin Silva. Falha grave.
O segundo tento do Botafogo surgiu em jogada de falta. João Paulo rolou, e Victor Luis acertou um petardo no ângulo esquerdo de Martin Silva. Sem chances para o goleiro. Uma constatação: a barreira vascaína abriu completamente e possibilitou a trajetória da bola, que passou no vão entre o segundo e terceiro homem, da esquerda para a direita. Ou seja, era só cumprir o que se espera de uma barreira.  
E o terceiro gol do clube da Estrela Solitária trouxe novamente a observação da bola. Enquanto a bola viajava, após enfiada de João Paulo, três jogadores vascaínos observavam o itinerário da pelota. Um deles fez o corte para o meio da área, onde Roger, completamente desmarcado, com um Paulão à certa distância, esperava para disparar e confirmar a vitória elástica e sem contestações do Botafogo.

O Vasco sofreu vinte gols em nove jogos, obtendo uma média de 2,22 gols/partida. A média do Brasileirão 2017 é de 2,48. A defesa cruzmaltina têm ajudado muito na boa condução desse quadro. O time de São Januário somente não sofreu gols na partida diante do Avaí. Embora a defesa vascaína tenha tentado colaborar, o time catarinense não fez o suficiente para que esse feito fosse obtido. E o que assusta mais é a fala de Milton Mendes, que insiste em dizer que a defesa do Vasco não possui esse grau de inferioridade com relação às outras do torneio. O treinador chegou a negar que seus comandados tivessem a marca de pior defesa do campeonato. Os números não mentem. Sr. Mendes. É preciso assumir os pecados para buscar o céu. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Vasco estava verde contra o Palmeiras


Muito por causa dos erros de sua zaga e pela inanição de seus laterais, o Vasco foi facilmente goleado pelo atual campeão brasileiro, o Palmeiras. Uma derrota seria assimilada como normal caso houvesse alguma consistência tática no jogo vascaíno. Não dá para dizer também que o Vasco não teve nenhuma chance, pois o cruzmaltino as teve. O problema foi o que fez dessas oportunidades. O lance em que Douglas – um dos únicos que se pode isentar de culpa - pega uma bola mal recuada da zaga palmeirense, tendo tempo para elaborar um milhão de soluções, e chuta no travessão é a marca registrada desse Vasco. Um time que teve vinte dias para treinar e conseguiu executar um padrão de jogo ainda pior que o do estadual (que já não é referência alguma). Intranquilidade é a palavra-síntese para esse time dirigido por Milton Mendes. E tomar um gol aos cinco minutos de jogo ativa todas as inseguranças possíveis.
Não é equivocado dizer que o jogo teve uns vinte e cinco minutos de algum equilíbrio. Só que esse equilíbrio advinha da falta de apetite do time paulista, que parecia satisfeito com a leve vantagem no placar. O segredo para os alvinegros talvez fosse forçar o jogo pelo lado esquerdo, o setor onde estava Zé Roberto, que já não vem suportando correrias. Apenas uma vez o time carioca tentou esse recurso. E o que veio de concreto foi o segundo gol palmeirense, no fim do segundo tempo.
Com 47 segundos do segundo tempo, o Palmeiras ampliou. E a partir daí o jogo poderia ter virado um massacre. Mais tarde, Jomar cedeu mais um pênalti, e o alviverde deu números de goleada ao confronto. Resumo do jogo: foi pouco. Nem a maior goleada do campeonato, o 6 a 2 do Bahia sobre o Atlético-PR, teve números reais tão contundentes. A derrota inicial do Vasco exibiu uma nudez pública do elenco. Desnuda falhas no preenchimento do elenco vascaíno e das limitações de quem foi escalado. Não dá para começar o torneio pegado com as opções de zaga que o time possui. E também há a necessidade urgente de um lateral-esquerdo. Milton Mendes não pode ser considerado culpado por esse ar de tragédia, pois não se pode fazer uma limonada com maracujás.
Segundo informações do GloboEsporte.com, Eurico Miranda também saiu da prostração e investiu na contratação de dois zagueiros, Paulão e Breno. O primeiro é um zagueiro vigoroso que costuma aparecer muito bem nas bolas altas e jogadas de bola parada; o segundo, um jogador de boa técnica, de jogo sóbrio, que foi incensado no Bayern e já teve convocações para a seleção brasileira em uma época que parece distante. A realidade informa que ambos não estavam tendo ritmo de jogo no Internacional e no São Paulo. Ambos vêm tentar uma aposta no Vasco.
Outra especulação vem do Qatar. O zagueiro Anderson Martins já teria se despedido do Umm Salal, seu clube na temporada passada, e pode aportar em São Januário. O fato é que, caso a transferência se concretize, ele seria a única realidade dentro da trinca de nomes com quem o Vasco vem flertando.