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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Felipe Melo no Vasco?


Cuca afastou Felipe Melo por estar tumultuando um ambiente que carece de tranquilidade para ter identidade. O Palmeiras contratou jogadores de destaque para ser o protagonista dessa edição, mas, seja por direção ou falta de encaixe das peças, o time paulista ainda não engrenou. Apesar de ter jogadores de respeito como o meia Guerra, o zagueiro Mina e Dudu, o alviverde vem apresentando inconstância na atual temporada. Jogadores importantes no passado como Fernando Prass, Tchê Tchê e Zé Roberto também já não rendem como antes. E a contratação badalada de Borja ainda não fez valer o investimento caro. Melo se ejetou ao praticar seu esporte predileto em um ambiente já sensível: provocar polêmicas.
Com uma filosofia de trabalho que já afastou jogadores indisciplinados ou insatisfeitos como Rodrigo e Nenê, Milton Mendes vai tentando encontrar a melhor formação para o Vasco. E nisso está conseguindo resultados que fazem com que o time esteja em plena disputa de uma vaga para a Libertadores 2018. A mescla de garotos e jogadores mais rodados está trazendo o que o treinador e a torcida desejam. O técnico está em busca de profissionalismo e tranquilidade para trabalhar.
Para a minha surpresa, quando Cuca confirmou a dispensa de Felipe Melo, alguns vascaínos defenderam a hipótese de o polêmico jogador ir para São Januário. Não há a menor condição. O excesso do lado torcedor rubro-negro que há nele (faria com que ele mesmo não quisesse jogar pelo Vasco), o histórico de tumultuador de ambientes, o altíssimo salário e o pouco acréscimo que traria em termos de volume de jogo. Além disso, o clube tem uma série de opções no meio para exercer a função de volante. Marcelo Mattos, Andrey, Jean, Wellington, Cosendey e Bruno Paulista são os nomes relacionados no elenco. Fora os improvisos de Escudero ou Mateus Vital. Sem nenhuma chance.

Aos 34 anos, Felipe Melo ainda se mostra um jogador de boa visão de jogo e marcação, mas, por conta de sua verborragia, não encontra mais mercado nos grandes de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Somente um clube da Região Sul, Nordeste ou Minas Gerais ainda poderia tentar correr esse risco. Fora isso, só resta ao veterano falastrão ir ganhar mais uns caraminguás no futebol do Oriente Médio, EUA ou China. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Vasco estava verde contra o Palmeiras


Muito por causa dos erros de sua zaga e pela inanição de seus laterais, o Vasco foi facilmente goleado pelo atual campeão brasileiro, o Palmeiras. Uma derrota seria assimilada como normal caso houvesse alguma consistência tática no jogo vascaíno. Não dá para dizer também que o Vasco não teve nenhuma chance, pois o cruzmaltino as teve. O problema foi o que fez dessas oportunidades. O lance em que Douglas – um dos únicos que se pode isentar de culpa - pega uma bola mal recuada da zaga palmeirense, tendo tempo para elaborar um milhão de soluções, e chuta no travessão é a marca registrada desse Vasco. Um time que teve vinte dias para treinar e conseguiu executar um padrão de jogo ainda pior que o do estadual (que já não é referência alguma). Intranquilidade é a palavra-síntese para esse time dirigido por Milton Mendes. E tomar um gol aos cinco minutos de jogo ativa todas as inseguranças possíveis.
Não é equivocado dizer que o jogo teve uns vinte e cinco minutos de algum equilíbrio. Só que esse equilíbrio advinha da falta de apetite do time paulista, que parecia satisfeito com a leve vantagem no placar. O segredo para os alvinegros talvez fosse forçar o jogo pelo lado esquerdo, o setor onde estava Zé Roberto, que já não vem suportando correrias. Apenas uma vez o time carioca tentou esse recurso. E o que veio de concreto foi o segundo gol palmeirense, no fim do segundo tempo.
Com 47 segundos do segundo tempo, o Palmeiras ampliou. E a partir daí o jogo poderia ter virado um massacre. Mais tarde, Jomar cedeu mais um pênalti, e o alviverde deu números de goleada ao confronto. Resumo do jogo: foi pouco. Nem a maior goleada do campeonato, o 6 a 2 do Bahia sobre o Atlético-PR, teve números reais tão contundentes. A derrota inicial do Vasco exibiu uma nudez pública do elenco. Desnuda falhas no preenchimento do elenco vascaíno e das limitações de quem foi escalado. Não dá para começar o torneio pegado com as opções de zaga que o time possui. E também há a necessidade urgente de um lateral-esquerdo. Milton Mendes não pode ser considerado culpado por esse ar de tragédia, pois não se pode fazer uma limonada com maracujás.
Segundo informações do GloboEsporte.com, Eurico Miranda também saiu da prostração e investiu na contratação de dois zagueiros, Paulão e Breno. O primeiro é um zagueiro vigoroso que costuma aparecer muito bem nas bolas altas e jogadas de bola parada; o segundo, um jogador de boa técnica, de jogo sóbrio, que foi incensado no Bayern e já teve convocações para a seleção brasileira em uma época que parece distante. A realidade informa que ambos não estavam tendo ritmo de jogo no Internacional e no São Paulo. Ambos vêm tentar uma aposta no Vasco.
Outra especulação vem do Qatar. O zagueiro Anderson Martins já teria se despedido do Umm Salal, seu clube na temporada passada, e pode aportar em São Januário. O fato é que, caso a transferência se concretize, ele seria a única realidade dentro da trinca de nomes com quem o Vasco vem flertando.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Quem é Felipe Melo?


Felipe Melo foi revelado no ano de 2001, nas categorias de base do Volta Redonda. No entanto, ele só apareceu profissionalmente quando foi contratado pelo Flamengo e promovido aos poucos à condição de titular ao longo de 2002. Naqueles tempos, Melo atuava como terceiro ou quarto homem de meio, o que significava que ele tinha que participar ativamente do processo de criação da equipe. E havia quem acreditasse que ele seria a solução para suprir um time que tinha Petkovic ou Alex nessa função. Acabou revezando a titularidade com o folclórico Fábio Baiano.
Ao longo de sua carreira, a vitalidade do atleta sempre o colocou em uma condição mais de transpiração do que de criatividade. Embora não fosse a tônica de seu repertório, as soluções acima da média podiam surgir de seus pés. Na condição de meia de criação, o jogador teve boas passagens por Flamengo (inclusive o atleta ficou conhecido no cenário nacional por ter feito, contra o Internacional, o gol que salvou o rubro-negro do rebaixamento em 2001) e Cruzeiro e uma não tão boa pelo Grêmio. Melo achou o seu lugar em campo quando, em sua longa trajetória no futebol europeu, foi encaixado para cumprir a função de volante. E fez boas temporadas na Fiorentina, no Juventus e no Galatasaray.
Desde então, o jogador sofre críticas por ser violento em campo. Ele não deixa de ter os seus momentos mais pesados ou excessivos, mas eu enxergo Felipe Melo muito mais violento com as palavras e atitudes extracampo do que nas quatro linhas. Aliás, o jogador é o último dos moicanos na prática do “Talk Trash” futebolístico. Em uma função que já teve Romário, Edmundo, Túlio, Renato Gaúcho, o palmeirense se firma como um criador de polêmicas (ou um promotor de espetáculos, entendam como quiserem) imbatível para a régua dos dias atuais. Só em 2017 ele já espinafrou Neto e Müller, insuflou a Libertadores com um tapa hipotético em um uruguaio (que teve seus reflexos no segundo duelo entre Palmeiras e Peñarol, pela Libertadores) e rebateu pessoalmente as críticas da mídia. Para uma época em que tudo causa choque, Felipe Melo soa como um estrangeiro no mundo do politicamente correto.
Jamais classificarei Melo como um craque do mundo da bola, mas o volante tem muitas qualidades. E poderia perfeitamente ter prestado serviços à seleção por muito mais tempo. Talvez não o tenha feito por causa de sua inconstância emocional. Não fosse o erro contra a Holanda, em 2010, e ele teria sido como um dos melhores jogadores daquela seleção de Dunga. O jogador saiu da Copa com 97,7% de passes certos e foi um dos campeões de desarmes. E isso continua aparecendo no Palmeiras, seu clube atual, onde, só no Paulistão, ele tem 2 gols, 81,6% de desarmes corretos, 5 assistências e um alto índice de lançamentos corretos. Ou seja, é um jogador que tem boas características para se tornar essencial ao padrão de jogo de uma equipe e que enverga com destreza e vibração o manto verde.
Em uma de suas declarações impróprias e sem base, o comentarista e agora humorista (?) Neto disse que Felipe Melo “é um jogador comum para medíocre”. Discordo radicalmente do autointitulado craque. É possível chamar o volante de qualquer coisa, exceto dizer que ele é um jogador comum. Seja no gramado ou nas coletivas, o palmeirense é alguém que passa longe da mesmice vigorante no futebol brasileiro. O politicamente correto só serve para a quermesse da igrejinha de bairro.