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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Domingo de futebol

Botafogo x America MG pelo Campeonato Brasileiro no Estadio Nilton Santos. 16 de Setembro de 2018, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Esse horário matinal de jogos ainda causa certa estranheza, principalmente nos dias de grande calor, mas não dá pra negar que é um horário prazeroso pra assistir futebol. Foi assim nesse domingo com o morno Botafogo 1 x 0 América-MG. Um jogo frio na técnica mas com o calor de 25 mil alvinegros que puderam curtir enfim um domingo feliz com uma vitória logo cedo. A Turma da Arquibancada esteve presente e conta como foi a experiência da visita ao Estádio Nilton Santos.
Muitas crianças e famílias inteiras ajudaram a encher as arquibancadas do estádio alvinegro neste domingo. Eles não puderam ver um espetáculo do time de coração mas viram um time com vontade e empurrado pela torcida para chegar à vitória.
O clima no estádio era leve como uma manhã de domingo pede e em meio a tímidos xingamentos a um e outro, se ouviam aplausos a jogadores como Igor Rabello, Luiz Fernando, Moisés e Rodrigo Pimpão. Este  último entrou no fim do jogo e mais uma vez exibiu muita confiança para armar dribles ousados e arrancar sorrisos de satisfação dos torcedores.
Dentro do Nilton Santos tudo funcionava. Não era difícil comprar um copo d'água e nem mesmo uma cervejinha. Isso mesmo, a galera alvinegra começou a beber cedo.
A temperatura também ajudava. Não fazia um calor escaldante e até dava para curtir um ventinho refrescante na sombra das arquibancadas. Dentro de campo não era possível dizer o mesmo. Jogar no sol de meio-dia não pode ser agradável nem mesmo no inferno carioca. Talvez por isso o segundo tempo tenha sido com menos emoção, mas nada que afastasse a alegria do torcedor do Botafogo.
Entrada confusa e com enormes filas no Estádio Nilton Santos. Foto: Serginho
Do lado de fora um problema crônico. Entrar no Estádio está sendo uma dor de cabeça. Chegamos em cima da hora do jogo e haviam filas gigantescas apenas para chegar à uma das entradas. Furamos a fila com pressa para não perder o jogo entretanto ainda perdemos pelo menos 8 minutos na revista de entrada. Um absurdo o clube não se preparar para receber 25 mil torcedores em um estádio com capacidade para 45 mil. O jogo já se aproximava do final do 1° tempo e ainda se notava torcedores preenchendo os espaços das arquibancadas. Um ponto recorrente em outros jogos e que precisa ser revisto.
Ao fim do jogo, para completar o passeio, os torcedores ainda podiam aproveitar as atividades no entorno do Estádio, que parecia seguir com a mesma movimentação de todo domingo, apenas um pouco mais preto e branco.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Jair Ventura, o Harry Houdini de General Severiano


“Não dá mais para duvidar do Botafogo”
Paulo Vinicius Coelho

Harry Houdini era o pseudônimo adotado por Ehrich Weisz, um mágico de origem húngara. Entre outros feitos ao longo da carreira, Houdini é sempre lembrado como um mestre maior do escapismo, que na ordem dos mágicos seria o truque de se evadir de lugares impossíveis, sempre em posição indefesa. O mágico executou a façanha da Câmara de Tortura Aquática, do Caixão, da Brava Correnteza e vários outros truques com algemas e celas de cadeia.  
Jair Ventura assumiu o Botafogo em agosto de 2016. Quando o treinador assumiu o Botafogo, o clube patinava na 17ª posição do Campeonato Brasileiro. Com um time herdado de Ricardo Gomes, que tinha optado por aceitar um convite do São Paulo, Ventura assumiu com a anuência do grupo. Curiosamente o primeiro adversário dessa nova leva foi o próprio tricolor paulista, em jogo no Morumbi. Com um time de qualidade duvidosa e eleito pelos especialistas como um dos favoritos ao descenso daquela edição, o Botafogo venceu pelo placar mínimo, com um gol de Sassá.
Gomes, o seu antecessor, retirou-se com uma campanha que somava 23 pontos, com 6 vitórias, 5 empates e 8 derrotas, um aproveitamento de 42,59%, que deixava o time na zona de rebaixamento do Brasileirão. Ironicamente tudo isso aconteceu no espaço de um turno, o que nos permite comparar as campanhas de maneira próxima do justo. Assumindo no primeiro jogo do returno, Ventura cravou 36 pontos, com 11 vitórias, 3 empates e 5 derrotas, um aproveitamento de 66%, muito próximo das marcas dos campeões e com credenciamento para a Libertadores-2017. E tudo isso sem a chegada de nomes que pudessem provocar grande comoção entre os torcedores e a mídia. Pautado em uma defesa firme, um Camilo inspirado, um Neilton recuperado e um Sassá brilhando, o mágico Jair executou a primeira de suas proezas e escapou dos lugares comuns para onde tinha sido enviado pelos corvos da degola.
Com as chegadas de Roger, Gatito Fernandez e João Paulo, o Botafogo ganhou novos nomes para o trabalho operário. No entanto, o que mais empolgou o torcedor foi a chegada de Montillo, contratado junto ao Shandong Luneng, da China. Uma cartada que prometia um aumento das jogadas de brilho e de criatividade do alvinegro carioca. A possível dupla com o argentino mexia com a imaginação do torcedor e da imprensa esportiva. Não foi o que se viu ao final, pois, com as constantes lesões de Montillo e a insatisfação de Camilo, o meio prometia se converter uma zona árida, somente habitada por destruições e passes laterais. Viriam mais mágicas do comandante Ventura.
Ao longo da temporada 2017, o Houdini de General Severiano realizou seus maiores feitos na competição mais cobiçada pelas torcidas tupiniquins, a Taça Libertadores. Sempre enfrentando os prognósticos de eliminação precoce, o Botafogo derrubou adversários com uma experiência maior do torneio, tais como Colo-Colo, Olímpia, Estudiantes e Atlético Nacional. As armadilhas sempre foram transpostas pelo bravo ilusionista. Inclusive com os dois primeiros times sendo derrubados em batalhas épicas, decididas pelo eficiente jogo de forte marcação, oferecimento da posse de bola ao rival e saída rápida para finalizar as partidas com a aposta nos contragolpes puxados pelos laterais, Bruno Silva (uma das gratas surpresas desse ano) e Rodrigo Pimpão.
Os atletas são fieis e respeitam todas as marcações do treinador, o que quase sempre garante o êxito ou algo próximo do que é programado. Em ocasiões em que tentou fugir de suas características de forte pegada, em benefício de uma equipe mais criativa, o Botafogo foi batido por rivais considerados menores, o Barcelona-EQU (0-2) e o Avaí (0-2), sempre em embates disputados no Engenhão.
Um novo escapismo foi realizado na Copa do Brasil, onde o Botafogo superou o Atlético-MG pelo placar agregado de 3 a 1. Por conta de um elenco mais encorpado, com cinco selecionáveis e peças como Otero e Cazares, o Galo era visto como favorito por uma parte dos torcedores e da mídia. Até venceu o primeiro jogo, mas não deu conta de segurar um Botafogo que jogou com eficiência e se manteve leal aos seus princípios.

E uma última coisa: alguém lembra primeiro que Jair Ventura é filho de um grande campeão?

terça-feira, 18 de julho de 2017

Um profissionalismo limitado: Camilo de saída do Botafogo

Foto: Vitor Silva /SSPress /Botafogo
A relação entre clube e jogador de futebol, no Brasil, ainda é muito frágil. Por que mesmo depois de alcançar o sucesso e o status de "ídolo" na temporada passada, Camilo abandona o projeto da Libertadores da América no Botafogo e opta por jogar a série B do Campeonato Brasileiro? A resposta pode ser mais óbvia do que se imagina. Infelizmente, no futebol brasileiro, nem jogador nem clube estão acostumados a trabalhar com o conceito de "elenco". Com a saída de Camilo, Marcus Vinícius deve se firmar como titular.

O início da temporada 2017 de Camilo foi repleto de desafios, porém superado com habilidade e muito trabalho duro. O meia sofreu com a chegada de um homem de referência com currículo mais encorpado e com peso de grande contratação. Porém a dificuldade de Montillo alcançar a plena forma física abriu espaço para que o antigo camisa 10 fosse importante na difícil tarefa de levar o clube alvinegro à fase de grupos da maior competição sul-americana e depois às oitavas de final. Sem contar a convocação para a Seleção brasileira, em amistoso solidário contra a Colômbia em prol das vítimas da tragédia com a Chapecoense, seu ex-clube.

Porém mesmo após a aposentadoria de Montillo, o meia ofensivo não conseguia repetir a boa forma do início da temporada e nem mesmo ser decisivo como na temporada passada. Para o jogador brasileiro, a falta de regularidade não é bem aceita e o banco de reservas é sempre o pior pesadelo. Não é comum o jogador brasileiro conquistar a sua condição de titular após um momento ruim. A cultura do nosso futebol faz crer que toda solução passa por uma "mudança de ares" ou a criação de um "fato novo", algo mais visível nas constantes mudanças de técnico.

Camilo tinha a confiança e a boa vontade de Jair Ventura para continuar trabalhando e retomar sua posição com seu talento e trabalho. Poderia ficar marcado por integrar um elenco que muito provavelmente irá disputar as quartas de final de uma Copa Libertadores da América e tem grandes chances de ir longe tanto no Brasileirão quanto na Copa do Brasil. Entretanto não teve paciência, algo já demonstrado na primeira vez que o técnico barrou o jogador de uma partida decisiva pela Libertadores.

Não pode-se negar que a torcida já não vinha tendo paciência com o jogador. Porém o torcedor é passional ao extremo e não pode ser cobrado por um trabalho que é da diretoria e do técnico: avaliar quem está melhor habilitado para ajudar o time. Uma pena para Camilo e para o Botafogo, que não conseguiram ter maturidade para superar o momento difícil. Agora o Botafogo contenta-se com um atacante, ainda imprevisível (Brenner foi envolvido na negociação) e contenta-se Camilo que terá a missão de jogar a série B pelo Internacional, procurando ser a referência que o time de Guto Ferreira tanto precisa e driblar as muitas dificuldades que afastam o Colorado do retorno à elite.

Surpreende essa negociação acontecer no Botafogo, tão elogiado deste a temporada passada pela eficiência e profissionalismo do departamento de futebol. Agora só o tempo dirá se a decisão foi a mais acertada para as duas partes.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O Ídolo Renasceu

Foto: Vítor Silva/ SSpress/ Botafogo

O mito voltou. Apenas essa frase pode definir o sentimento de qualquer alvinegro depois da reestreia do goleiro Jefferson, após mais de um ano fora do time por conta de uma rara lesão no tríceps. E foi apenas isso que salvou a noite para o Botafogo, que faz um Brasileirão apático.

A missão de ser ídolo traz consigo algumas obrigações cruéis. Para o glorioso goleiro (me permitam chamar assim o arqueiro do glorioso, pois que a alcunha me soa com perfeição) a responsabilidade era lidar com a badalação do talentoso Gatito. E em mais uma prova de rara aptidão para o cargo de referência, Jefferson aceitou com humildade o banco de reservas e aguardou pacientemente sua chance de voltar a brilhar. O concorrente (jamais rival!) parecia reconhecer pelos treinamentos que seria difícil brigar pela posição uma vez que o eterno camisa 1 do gol alvinegro retornasse a campo. Acertou em cheio.

Uma atuação que beirou a perfeição contra o Atlético Mineiro fez com que seus algozes reconhecessem o talento do goleiro e justificassem (apropriadamente, diga-se) o "fracasso" do empate pelas mãos milagrosas de Jefferson.

O técnico Jair Ventura já deixou claro que Gatito é o dono da posição. Justiça aceitável. Porém o torcedor do Botafogo agora respira aliviado. Não deve cair em nenhuma das competições que disputa por falhas de goleiro, como em anos anteriores.

No entanto a notícia de que Gatito interessa a um clube italiano já não assusta mais a torcida, que poderá se despedir com bastante gratidão do goleiro, ao que tudo indica apenas no final da temporada, e ainda terá a segurança de um ídolo em baixo das traves.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Pode devolver meu ingresso?

Foto: Satiro Sodré/SSPress/Botafogo


Futebol na segunda-feira não traz boas lembranças ao torcedor alvinegro. Só esta afirmação já deveria ter bastado para que eu não fizesse a bobagem de comprar ingressos para assistir Botafogo x Avaí nesta segunda, dia 26. Porém a inocência e o otimismo, claramente exagerado, acabaram me fazendo dar uma caminhada de 20 minutinhos e ir conferir o péssimo jogo de futebol vencido, com seus méritos, pelo Avaí e o abençoado goleiro Douglas Friedrich (não consigo ler esse nome sem lembrar do velhinho ranzinza da animação Pixar). A derrota por si só já seria frustrante. Afinal, perder para o lanterna por um placar de 2 x 0 já é algo irritante. No entanto a organização, ou melhor, a falta de organização da partida foi algo desesperador para quem se dispôs a ir ao Estádio Nilton Santos. E não foram poucos. Algo em torno de 22 mil pessoas frustradas. 



A noite tinha tudo para ser de glória. O roteiro começa muito bem escrito com o retorno de dois dos jogadores mais talentosos do time, juntos, após recuperação de problemas físicos que já vinham se arrastando desde o início da temporada. A partida era contra o fraco (fraquíssimo, diga-se) Avaí. Por um instante cheguei a pensar que o técnico Jair Ventura poderia até ter escalado Jefferson para que começasse a pegar ritmo de jogo, tão pouco temido era o adversário. Para ficar ainda mais cinematográfico, uma bela homenagem da torcida para o atacante Roger, ou melhor, para a filha do jogador, protagonista de uma emocionante reportagem produzida pela TV Globo ao longo da semana e que certamente foi adotada como mascote da temporada. Ficou faltando apenas combinar com o Avaí o papel que deveria exercer. E aí que a coisa desandou. 

Afim de não escapar de nenhum clichê e já ir dizendo que há coisas que só acontecem ao Botafogo; Eis que o camaronês que nada fez em seis meses de glorioso, resolve acertar tudo que podia em apenas uma noite. E como se não bastasse, em pouco mais de 15 minutos de partida. Soma-se ao fato, nova lesão de Montillo, jogador que chegou a peso de ouro e com status de craque do time e que até o momento pouco fez e tão pouco jogou (e talvez nem jogue mais esse ano - não pela lesão propriamente dita, mas pela sequência de lesões, algo que pode fazer com que o jogador desista de cumprir seu contrato). O Botafogo estava fadado a viver mais uma noite de drama e agonia. 

Mudança no esquema que não dá certo

O técnico alvinegro armou um time com apenas dois volantes, Bruno Silva e Rodrigo Lindoso, invés do já bem consolidado esquema com três volantes, com ausência de Matheus Fernandes, poupado e sacrificado para dar lugar a um meio-campo mais ofensivo com Camilo e Montillo e a possibilidade de um triângulo ofensivo formado por Bruno Silva, Roger e Pimpão. No papel tudo bonito. O problema é que na prática o Botafogo não sabe jogar partindo para cima do adversário. O time está bem treinado na arte de jogar fechado na defesa, esperando uma bola de velocidade para ligar ao ataque e matar a partida. Quando resolve jogar diferente, infelizmente não dá certo. E foi exatamente o que aconteceu. Bruno Silva saiu para o jogo e deixou a defesa desprotegida e na primeira oportunidade, logo aos cinco minutos, contanto com uma falha coletiva da defesa, o algoz cruel, Joel, agora atacante do Avaí, abriu o placar. 

Com a substituição forçada de Montillo, talvez o técnico Jair pudesse consertar o esquema tático e retornar a sua formação tradicional, colocando Matheus Fernandes de volta ao time. Porém a presença inesperada de um grande público (mais de 20 mil pessoas para um jogo de segunda-feira a noite) parece ter pressionado o jovem treinador a manter seu time no ataque, e por essa razão escolheu Guilherme para tentar salvar o fiasco. Entretanto mais uma vez, pouco mais de 10 minutos após o primeiro gol, foi castigado com mais uma conclusão perfeita do ex. Dessa vez em falha de marcação de Igor Rabello, em noite pouco inspirada. Talvez sua pior partida com a camisa do Botafogo na temporada. 

Após a vantagem de 2 x 0 dos visitantes, o jogo ficou sonolento e, com a exceção de duas oportunidades em chute de Arnaldo e um bate-rebate após cobrança de escanteio, nada mais foi produtivo no 1º tempo. O Avaí se limitava a se fechar na defesa, como bom visitante, e errava até mesmo as saídas de bola. A equipe de Florianópolis dava a bola no pé do time da casa e deixava jogar, mas nem assim o Botafogo conseguia chegar com perigo. 

A última etapa se resumiu a uma equipe desesperada, tentando e fracassando na criação de jogadas ofensivas, enquanto um visitante acanhado se fechava por completo. O pouco que o Botafogo conseguiu criar esbarrou nas milagrosas defesas do goleiro Douglas, em noite brilhante, e na falta de sorte de seus atacantes. Mesmo assim, não foi nem suficiente para dar emoção ao final da partida. Em um último desespero Jair tirou Camilo e Igor Rabello para a entrada de Leandrinho e Pachu, deixando a equipe com apenas um zagueiro. Por sorte este homem era Marcelo e o jovem zagueiro conseguiu se virar para evitar que a derrota ainda fosse pior. 

Vaias ou apoio?
Camilo ao ser substituído causou um pequeno início de tumulto na torcida. Mais uma vez com atuação pouco produtiva, provocou a irá de alguns torcedores, traduzida em vaias. Embora boa parte da torcida alvinegra tenha se mantido firme na promessa de apoiar seus jogadores até o final e ter tentado gritar o nome do meia. Uma derrota inesperada, triste e com a sensação de que é preciso ligar o sinal de alerta. O glorioso ainda segue vivo na Copa do Brasil, na Libertadores e até mesmo no Campeonato Brasileiro, que está apenas começando. Mas o torcedor já percebeu que nem ainda há muito trabalho pela frente. A esperança é que Jair tenha percebido a mesma coisa. 

Ingresso da internet causa atrasos e confusão para acessar o Niltão

O jogo ruim por si só já seria um motivo de desânimo pro torcedor. Entretanto a falta de organização e, talvez a falta de confiança na presença da torcida, fez com que muitos torcedores só conseguissem entrar com o jogo já em andamento e até mesmo com o placar consolidado. Boa parte do problema gerado por uma mudança de política no acesso ao estádio, que dessa vez obrigara a quem adquiriu o ingresso através da internet fazer um processo completamente estúpido e desnecessário. O torcedor era obrigado a ir até a bilheteria validar seu ingresso impresso e trocá-lo por um ingresso de papel, para só então poder entrar no estádio. Como já estamos no meio da temporada e tal política nunca tinha sido adotada e o clube também não fez com que a informação fosse amplamente divulgada, muitos torcedores desavisados entraram atrasados no jogo. Não perderam nada, é verdade, mas a sensação de maltrato e frustração é algo que o Botafogo não pode se dar ao luxo de proporcionar ao seu torcedor.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Botafogo x Vasco - Uma análise dos gols sofridos pela defesa mais vazada do Brasileirão 2017


Apesar dos quatro níveis do curso da Uefa de Milton Mendes, o Vasco sofre derrotas porque erra na marcação no nível mais básico do futebol de várzea. Todos marcam a bola em uma situação de cruzamento. Não estando no confronto do atleta que tem a bola, o jogador mais peladeiro tem a consciência de que o olhar dele deve estar preso aos olhos e ao corpo de seu adversário. São equívocos de fundamento que podem ser corrigidos com treinamento voltado para a deficiência.
No lance do primeiro gol botafoguense, enquanto Bruno Silva se preparava para alçar a bola na área, três jogadores do Vasco apreciavam a movimentação do alvinegro. E quando aconteceu o cruzamento, Paulão e Breno eram os responsáveis por interceptar a bola e marcar os finalizadores. Apenas Roger se colocou no caminho da bola. Breno não marcava ninguém e só admirava a bola. Paulão ficou olhando Roger avançar porque se distraiu com a bola no ar. Resultado: Roger passou no meio dos dois zagueiros e desviou para o gol de Martin Silva. Falha grave.
O segundo tento do Botafogo surgiu em jogada de falta. João Paulo rolou, e Victor Luis acertou um petardo no ângulo esquerdo de Martin Silva. Sem chances para o goleiro. Uma constatação: a barreira vascaína abriu completamente e possibilitou a trajetória da bola, que passou no vão entre o segundo e terceiro homem, da esquerda para a direita. Ou seja, era só cumprir o que se espera de uma barreira.  
E o terceiro gol do clube da Estrela Solitária trouxe novamente a observação da bola. Enquanto a bola viajava, após enfiada de João Paulo, três jogadores vascaínos observavam o itinerário da pelota. Um deles fez o corte para o meio da área, onde Roger, completamente desmarcado, com um Paulão à certa distância, esperava para disparar e confirmar a vitória elástica e sem contestações do Botafogo.

O Vasco sofreu vinte gols em nove jogos, obtendo uma média de 2,22 gols/partida. A média do Brasileirão 2017 é de 2,48. A defesa cruzmaltina têm ajudado muito na boa condução desse quadro. O time de São Januário somente não sofreu gols na partida diante do Avaí. Embora a defesa vascaína tenha tentado colaborar, o time catarinense não fez o suficiente para que esse feito fosse obtido. E o que assusta mais é a fala de Milton Mendes, que insiste em dizer que a defesa do Vasco não possui esse grau de inferioridade com relação às outras do torneio. O treinador chegou a negar que seus comandados tivessem a marca de pior defesa do campeonato. Os números não mentem. Sr. Mendes. É preciso assumir os pecados para buscar o céu. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O que há com Sassá?




Apesar de ser uma promessa de atalho para a fama e a resolução financeira, o futebol presenteia poucos com essa dádiva. O caminho até a realização de se tornar um atleta renomado leva alguns sóis e privações. Alguns se perdem no meio do caminho. E o problema maior é a caminhada até o topo. Eles precisam ser lembrados diariamente de que não foram as noitadas que deram vitrine a eles, mas sim a bola. E a bola, tadinha, anda tão solitária nos dias de hoje. Não basta somente talento para se firmar como um homem das quatro linhas. A disciplina é a maior arte que um jogador pode desenvolver ao longo de uma carreira. Um Leonardo e um Raí costumam durar bem mais que um Ronaldinho Gaúcho. A jornada no esporte dura o tempo do cuidado com a ferramenta de trabalho, o corpo. Tem Zé Roberto e Adriano para, respectivamente, o positivo e para o negativo. O futebol é pródigo em dar com uma mão e retirar com a outra. Todo ano aparecem Zezinhos, Bernardos, Valdirans e Walters, e eles vão desaparecendo de uma forma agonizante, triste. É muito fácil fazer o caminho de volta do Maracanã para a presença VIP no torneio de várzea.
A bola da vez é Luiz Ricardo Alves ou simplesmente Sassá. Jogador atuante pelo Botafogo, onde se formou e jogou a maior parte de sua carreira de meia década. O atleta estreou pelo clube da estrela solitária no ano de 2012. Sem conseguir se firmar em seu clube de origem, o atleta foi emprestado para o Oeste e para o Náutico, onde começou a ter um certo destaque quando converteu nove gols pela série B do Brasileirão. No entanto, Sassá só conheceu o sucesso com a camisa do Botafogo em 2016, quando se tornou artilheiro. E foi aí que as polêmicas começaram a dar as caras. Teve destempero fora de campo com torcedores, encrenca com Airton em campo (que acabou com a expulsão do volante), acidentes de trânsito, atrasos e ostentação com maços de dinheiro na internet.
Em janeiro, o Botafogo decidiu retirar o jogador da lista para a disputa para a Libertadores 2017, o torneio mais importante a ser disputado pelo clube, e colocá-lo na geladeira. O motivo seria o conjunto de indisciplinas que o jogador não consegue frear. E decerto ainda deve existir mais questões que o clube, para preservar um patrimônio, decidiu não trazer ao conhecimento do público. Ainda assim, meses mais tarde, o clube voltou a dar oportunidade a Sassá.
A nova situação de atrito se deu por um desentendimento na renovação de contrato do atacante. O clube considerou estratosférico o valor pedido por Sassá.  A resposta do jogador foi um novo atraso – que o deixou fora da partida contra o Grêmio - e uma foto controversa com Rodinei, do Flamengo, na balada. 
Sassá tem contrato até dezembro de 2017 com o clube de General Severiano, o que possibilitaria que ele assinasse um pré-contrato com outro clube a partir de julho desse ano. O Botafogo já começa a pensar em negociar o atleta agora. Seria um negócio lógico dentro dos problemas que o atleta vem causando e da previsível decadência que as atitudes negativas e sistemáticas causam a um profissional do futebol. Um dos interessados seria o poderoso Palmeiras.

Quanto ao que diz respeito às questões técnicas, o atacante é oportunista e podia ser uma opção para dar mais mobilidade ao ataque do Botafogo, que fica engessado com Roger. Sassá não é craque, mas seria útil. Muito provavelmente não crescerá mais do que seu 1,74m. O que vimos em 2016 e em parte de 2017 talvez seja seu auge como atleta. E era preciso que alguém o lembrasse que todo ano aparecem Zezinhos, Bernardos, Valdirans e Walters, e eles vão desaparecendo de uma forma agonizante, triste...


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Fios Desencapados


Assim como possui a capacidade de gerar craques para o mundo da bola, o Brasil sempre foi um berço inesgotável para jogadores tarimbados na arte da confusão. Caso seja solicitado que se enumerem alguns nomes, os mais jovens citarão, sem pestanejar, três atletas experientes que agora se encontram, respectivamente, nos elencos da Ponte Preta e do Vasco, Rodrigo, Emerson Sheik e Luis Fabiano. 
O zagueiro Rodrigo se notabilizou pelas provocações que costuma fazer aos adversários, dentro e fora de campo. Além disso, é um jogador que costuma exercer uma influência negativa nos elencos que integra. A verdade é tanta que a primeira providência tomada por Milton Mendes, o técnico novo do Vasco, foi tirar-lhe a faixa de capitão e, muito provavelmente, iniciar o processo de fritura que o faria assinar com a Ponte Preta para a disputa da série A 2017.
Luis Fabiano, em seu período no São Paulo, ganhou a fama por não aceitar passivamente as marcações dos árbitros, por simulações, faltas bizarras e uma briga generalizada contra o River Plate, em 2003, na Copa Sul-Americana. O atacante acumula dezenove cartões vermelhos em sua trajetória como profissional. A ausência de inteligência emocional faz com que sua presença nos noventa minutos seja sempre uma incógnita.
Conhecido no Brasil somente depois dos trinta anos de idade (pois fez a maior parte de sua carreira no Japão e no Qatar), Emerson Sheik também é um atleta marcado por um histórico de confusões grotescas. Sheik já saiu vociferando nos microfones da Globo contra a Confederação Brasileira de Futebol, foi demitido por ter cantado o “Bonde do Mengão sem Freio” no ônibus do Fluminense, xingou acintosamente um juiz, foi desmascarado como um “gato” do futebol e acabou vítima da torcida corintiana quando beijou um amigo. Não há uma única passagem por clubes brasileiros em que Emerson não tenha deixado alguma história de desavença.
E não será nada surpreendente se alguns falarem de Felipe Melo e seus descontroles.
Outros lembrarão de episódios isolados, como o que André Luiz, na época no Botafogo, protagonizou. Em um jogo contra o Estudiantes, em 2008, o zagueiro tirou o cartão amarelo e o aplicou no juiz Carlos Chandía. O motivo da revolta de André tinha sido o erro do juiz, que se equivocou com o verdadeiro culpado e aplicou erroneamente o amarelo nele (que já tinha um por falta).
Talvez lembrem ainda do ringue de batalha aberto pelo volante Dinho e pelo meia Válber, que atuavam por Grêmio e Palmeiras. Na noite do dia 26 de julho de 1995, após uma tentativa de cabeçada do volante gremista, o meia palmeirense ficou rolando no gramado do Estádio Olímpico. O resultado foi a expulsão de ambos. E engana-se quem pensa que a desinteligência acabou aí. Depois da retirada de campo, começou um festival de voadoras e tapas de Dinho e do goleiro Danrlei (outra figurinha carimbada da década de 1990) em cima de Válber. Só a Polícia Militar conseguiu encerrar esse embate paralelo.  
O termo Bad Boy passou a ser utilizado para nomear uma gama de jogadores de difícil trato que se estabeleceram entre o fim da década de 80 e meados de 1990. Viola, Paulo Nunes, Renato Gaúcho, Djalminha, Marcelinho Carioca e outros foram encaixados e fizeram jus ao rótulo. No entanto, quando o termo é evocado, os primeiros exemplos que se manifestam com destaque são Romário e Edmundo, que eram igualmente craques em arranjar tumultos. Teve até funk para representar o movimento que eles abraçaram com gosto. E foram vários entreveros que merecem destaque e são bem maiores que esse texto. Pode ser que um próximo volume desse título dê conta de descrevê-los. Pelo mesmo motivo eu deixarei Serginho Chulapa no banco.
No entanto, o maior encrenqueiro do futebol brasileiro foi réu confesso. Ele não está mais entre os vivos desde 1973. O próprio se classificava como um marginal. Nelson Rodrigues o chamava de “O Divino Delinquente”. Tratava todos os de seu convívio muito bem. Era alguém capaz de tirar a própria roupa do corpo para ajudar alguém necessitado. Até mesmo quem não conhecia. E esse foi o enredo que desembocou em sua morte.
Ele se transformava em outra pessoa quando entrava em campo. Apesar de merecer envergar o uniforme da seleção muito mais vezes, por conta de seu gênio irascível, ele só atuou em sete ocasiões pelo escrete canarinho. O jogador foi conhecido como Pernambuquinho, “Pelé Branco” ou simplesmente Almir.
Almir atuou por Sport, Vasco, Corinthians, Boca, Fiorentina, Genoa, Santos, Flamengo e América-RJ. E arrumou barracos antológicos por todas as equipes anteriores. Jogo com o Pernambuquinho jamais acabava zerado em termos de tumulto.
Ainda em início de carreira, pelo Sport, ele mirou bem um torcedor que o xingava das arquibancadas, esperou o jogo terminar e o perseguiu até surrar o mesmo fora do estádio.
Em 1959, atuando pela seleção brasileira, Almir arranjou uma batalha campal com os jogadores do Uruguai. Uma pancadaria que acabou ficando mais conhecida do que o resultado do jogo e a importância do torneio, que nada mais era do que um Sul-Americano.
Na Taça Intercontinental de 1963, vestindo a camisa do Santos, ele liderou uma verdadeira caçada a Amarildo, o Possesso, que atuando pelo Milan, o adversário daquela final, caiu na besteira de declarar aos jornais italianos que Pelé estava acabado para o futebol. Almir julgaria aquele ato como imperdoável. Só Deus era maior na cabeça do Pernambuquinho. Embora Almir tenha sido a melhor figura do jogo, o certame acabou em um espetáculo recheado de rapapés, tesouras e chegadas mais que viris. E tudo com a conivência do homem de preto.  
E a maior de todas as desordens veio quando Almir atuava pelo Flamengo, em 1966. Com o intuito de evitar que o Bangu, que já vencia por 3 a 0, ampliasse a goleada, Almir partiu para cima dos alvirrubros a fim de evitar que eles dessem a volta olímpica no Maracanã com aquela pompa. O saldo foi de cinco expulsos no Flamengo e quatro para o Bangu, que viu o jogo ser encerrado por falta de material humano e não comemorou como campeão no Mário Filho.
Apesar de toda sua qualidade como atacante, totalizou apenas onze anos como profissional. Por causa de suas jornadas com o álcool, com pouco mais de 30 anos, Almir já tinha a aparência de um velho.
Já aposentado, na Galeria Alaska, em Copacabana, ao defender do deboche um grupo de atores gays do Dzi Croquetes, Almir tomou dois tiros. Faleceu ali uma lenda da época de ouro do futebol brasileiro. Morreu um homem valente que foi muito mais conhecido pelos defeitos do que pelas virtudes.

                                          Flamengo 0 x 3 Bangu - Decisão Campeonato carioca - 1966
                                          Libertadores 1995 - Dinho Vs Valber
                                          Jogador André Luiz da cartão amarelo para juiz
                                          

RECOMENDAÇÕES: “Eu e o Futebol”, de Almir Pernambuquinho, Biblioteca Esportiva Placar (1973)