As
Eliminatórias Sul-Americanas começaram a ser disputadas com o atual formato,
com todos se enfrentando em sistema de turno e returno, em 1998, para o que
seria a Copa do Mundo da França. Como o detentor do título de 1994, o Brasil
não precisou disputar a fase classificatória da Copa do Mundo seguinte. Antes
disso, a elaboração das Eliminatórias era feita por zona, sendo que a fórmula
mais conhecida costumava separar os países em dois grupos, com cinco e quatro
países, classificando automaticamente os primeiros e segundos colocados dos
grupos e deixando para o melhor terceiro a missão de enfrentar seleções da
Oceania na repescagem.
Ao
longo desse tipo de disputa, o Brasil amargou onze derrotas, sendo a mais
traumática a primeira da série, em 1993, quando enfrentou a Bolívia, em La Paz,
e perdeu por 2 a 0. O time sentiu os efeitos da altitude de 3600 metros e um
futebol de nível razoável comandado com Etcheverry e Erwin Sanchez. Para acabar
de completar, o goleiro Taffarel, que havia feito uma defesa em um pênalti, sua
especialidade, fez um gol contra em cruzamento esquisito de Peña (o gol acabou
sendo atribuído ao meia boliviano). O dia seguinte jogava a seleção de Carlos
Alberto Parreira como território dizimado. Taffarel, um dos maiores arqueiros
brasileiros de todos os tempos, sofreu um linchamento público; a defesa passou
a ser lenta; Mauro Silva e Luis Henrique eram burocratas. Os gritos por Romário
passaram a ecoar até o jogo contra o Uruguai, no mesmo ano de 1993, com o
Maracanã em surto coletivo. A exceção foi a cidade de Recife, que assistiu a
revanche entre Brasil e Bolívia, com o escrete canarinho aplicando uma saraiva
por 6 a 0.
Na
fatídica derrota para a Bolívia, o zagueiro Quinteros, um argentino naturalizado
boliviano, estava escalado como titular. Esse ex-jogador agora volta à ribalta
como técnico da seleção do Equador, a atual líder das eliminatórias, com treze
pontos em cinco rodadas. É importante dizer que os equatorianos já enfrentaram
Argentina(fora) e Uruguai(casa) dentro dessa sequência. Essa arrancada inicial
fez o Equador colocar três pontos de vantagem no Uruguai e cinco em um pelotão
que tem Brasil, Paraguai e Argentina. Com um jogo baseado em velocidade nas
extremas e marcação intensa no campo adversário, o treinador boliviano se diz
inspirado pelos esquemas do Barcelona de Johan Cruyff e o Milan de Arrigo Sacchi.
Nomes como Bolaños, Noboa, Erazo, Valencia e Cazares passaram a ser cotados no
mundo do futebol.
Acostumados
a ver Argentina e Brasil na liderança desse tipo de competição há um longo
tempo, com rápidas e boas figurações de Colômbia, Chile e Uruguai, o torcedor
se pergunta se esse Equador terá força para resistir até a última rodada no
topo da competição. A verdade é que um time modesto como o inglês Leicester derrubou
uma série de paradigmas (posse de bola, jogo baseado no contra-ataque e
jogadores desconhecidos) e apostou na força do conjunto. Conjunto e obediência
tática que a seleção do treinador Quinteros tem exibido aos montes em um
trabalho de pouco mais de um ano.
A lógica seria
apostar em vitórias da Argentina (Bolívia/ em casa) e Uruguai (Peru/ em casa) e
derrota do Equador (Colômbia/ fora), o que embolaria completamente a tabela de
classificação. Só que é importante ressaltar que essa seleção equatoriana já
ganhou duas partidas em território inimigo. Quanto ao Brasil, sem Neymar e em
franca queda técnica e psicológica, um empate já está de bom tamanho contra o
Paraguai, em Assunção. A camisa oficial da seleção brasileira tem sido mais
usada nas manifestações contra o governo do que por orgulho do futebol exibido
pelos comandados de Dunga. A blusa amarela de destaque, inacreditavelmente, passou
a ser outra em 2016. Melhor futebol do mundo? Só nos lábios de Galvão Bueno.
Assim como a primeira derrota veio na altitude, o inédito jogo na Oceania ainda
pode acontecer no caminho para a Rússia.
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