terça-feira, 27 de junho de 2017

Pode devolver meu ingresso?

Foto: Satiro Sodré/SSPress/Botafogo


Futebol na segunda-feira não traz boas lembranças ao torcedor alvinegro. Só esta afirmação já deveria ter bastado para que eu não fizesse a bobagem de comprar ingressos para assistir Botafogo x Avaí nesta segunda, dia 26. Porém a inocência e o otimismo, claramente exagerado, acabaram me fazendo dar uma caminhada de 20 minutinhos e ir conferir o péssimo jogo de futebol vencido, com seus méritos, pelo Avaí e o abençoado goleiro Douglas Friedrich (não consigo ler esse nome sem lembrar do velhinho ranzinza da animação Pixar). A derrota por si só já seria frustrante. Afinal, perder para o lanterna por um placar de 2 x 0 já é algo irritante. No entanto a organização, ou melhor, a falta de organização da partida foi algo desesperador para quem se dispôs a ir ao Estádio Nilton Santos. E não foram poucos. Algo em torno de 22 mil pessoas frustradas. 



A noite tinha tudo para ser de glória. O roteiro começa muito bem escrito com o retorno de dois dos jogadores mais talentosos do time, juntos, após recuperação de problemas físicos que já vinham se arrastando desde o início da temporada. A partida era contra o fraco (fraquíssimo, diga-se) Avaí. Por um instante cheguei a pensar que o técnico Jair Ventura poderia até ter escalado Jefferson para que começasse a pegar ritmo de jogo, tão pouco temido era o adversário. Para ficar ainda mais cinematográfico, uma bela homenagem da torcida para o atacante Roger, ou melhor, para a filha do jogador, protagonista de uma emocionante reportagem produzida pela TV Globo ao longo da semana e que certamente foi adotada como mascote da temporada. Ficou faltando apenas combinar com o Avaí o papel que deveria exercer. E aí que a coisa desandou. 

Afim de não escapar de nenhum clichê e já ir dizendo que há coisas que só acontecem ao Botafogo; Eis que o camaronês que nada fez em seis meses de glorioso, resolve acertar tudo que podia em apenas uma noite. E como se não bastasse, em pouco mais de 15 minutos de partida. Soma-se ao fato, nova lesão de Montillo, jogador que chegou a peso de ouro e com status de craque do time e que até o momento pouco fez e tão pouco jogou (e talvez nem jogue mais esse ano - não pela lesão propriamente dita, mas pela sequência de lesões, algo que pode fazer com que o jogador desista de cumprir seu contrato). O Botafogo estava fadado a viver mais uma noite de drama e agonia. 

Mudança no esquema que não dá certo

O técnico alvinegro armou um time com apenas dois volantes, Bruno Silva e Rodrigo Lindoso, invés do já bem consolidado esquema com três volantes, com ausência de Matheus Fernandes, poupado e sacrificado para dar lugar a um meio-campo mais ofensivo com Camilo e Montillo e a possibilidade de um triângulo ofensivo formado por Bruno Silva, Roger e Pimpão. No papel tudo bonito. O problema é que na prática o Botafogo não sabe jogar partindo para cima do adversário. O time está bem treinado na arte de jogar fechado na defesa, esperando uma bola de velocidade para ligar ao ataque e matar a partida. Quando resolve jogar diferente, infelizmente não dá certo. E foi exatamente o que aconteceu. Bruno Silva saiu para o jogo e deixou a defesa desprotegida e na primeira oportunidade, logo aos cinco minutos, contanto com uma falha coletiva da defesa, o algoz cruel, Joel, agora atacante do Avaí, abriu o placar. 

Com a substituição forçada de Montillo, talvez o técnico Jair pudesse consertar o esquema tático e retornar a sua formação tradicional, colocando Matheus Fernandes de volta ao time. Porém a presença inesperada de um grande público (mais de 20 mil pessoas para um jogo de segunda-feira a noite) parece ter pressionado o jovem treinador a manter seu time no ataque, e por essa razão escolheu Guilherme para tentar salvar o fiasco. Entretanto mais uma vez, pouco mais de 10 minutos após o primeiro gol, foi castigado com mais uma conclusão perfeita do ex. Dessa vez em falha de marcação de Igor Rabello, em noite pouco inspirada. Talvez sua pior partida com a camisa do Botafogo na temporada. 

Após a vantagem de 2 x 0 dos visitantes, o jogo ficou sonolento e, com a exceção de duas oportunidades em chute de Arnaldo e um bate-rebate após cobrança de escanteio, nada mais foi produtivo no 1º tempo. O Avaí se limitava a se fechar na defesa, como bom visitante, e errava até mesmo as saídas de bola. A equipe de Florianópolis dava a bola no pé do time da casa e deixava jogar, mas nem assim o Botafogo conseguia chegar com perigo. 

A última etapa se resumiu a uma equipe desesperada, tentando e fracassando na criação de jogadas ofensivas, enquanto um visitante acanhado se fechava por completo. O pouco que o Botafogo conseguiu criar esbarrou nas milagrosas defesas do goleiro Douglas, em noite brilhante, e na falta de sorte de seus atacantes. Mesmo assim, não foi nem suficiente para dar emoção ao final da partida. Em um último desespero Jair tirou Camilo e Igor Rabello para a entrada de Leandrinho e Pachu, deixando a equipe com apenas um zagueiro. Por sorte este homem era Marcelo e o jovem zagueiro conseguiu se virar para evitar que a derrota ainda fosse pior. 

Vaias ou apoio?
Camilo ao ser substituído causou um pequeno início de tumulto na torcida. Mais uma vez com atuação pouco produtiva, provocou a irá de alguns torcedores, traduzida em vaias. Embora boa parte da torcida alvinegra tenha se mantido firme na promessa de apoiar seus jogadores até o final e ter tentado gritar o nome do meia. Uma derrota inesperada, triste e com a sensação de que é preciso ligar o sinal de alerta. O glorioso ainda segue vivo na Copa do Brasil, na Libertadores e até mesmo no Campeonato Brasileiro, que está apenas começando. Mas o torcedor já percebeu que nem ainda há muito trabalho pela frente. A esperança é que Jair tenha percebido a mesma coisa. 

Ingresso da internet causa atrasos e confusão para acessar o Niltão

O jogo ruim por si só já seria um motivo de desânimo pro torcedor. Entretanto a falta de organização e, talvez a falta de confiança na presença da torcida, fez com que muitos torcedores só conseguissem entrar com o jogo já em andamento e até mesmo com o placar consolidado. Boa parte do problema gerado por uma mudança de política no acesso ao estádio, que dessa vez obrigara a quem adquiriu o ingresso através da internet fazer um processo completamente estúpido e desnecessário. O torcedor era obrigado a ir até a bilheteria validar seu ingresso impresso e trocá-lo por um ingresso de papel, para só então poder entrar no estádio. Como já estamos no meio da temporada e tal política nunca tinha sido adotada e o clube também não fez com que a informação fosse amplamente divulgada, muitos torcedores desavisados entraram atrasados no jogo. Não perderam nada, é verdade, mas a sensação de maltrato e frustração é algo que o Botafogo não pode se dar ao luxo de proporcionar ao seu torcedor.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Botafogo x Vasco - Uma análise dos gols sofridos pela defesa mais vazada do Brasileirão 2017


Apesar dos quatro níveis do curso da Uefa de Milton Mendes, o Vasco sofre derrotas porque erra na marcação no nível mais básico do futebol de várzea. Todos marcam a bola em uma situação de cruzamento. Não estando no confronto do atleta que tem a bola, o jogador mais peladeiro tem a consciência de que o olhar dele deve estar preso aos olhos e ao corpo de seu adversário. São equívocos de fundamento que podem ser corrigidos com treinamento voltado para a deficiência.
No lance do primeiro gol botafoguense, enquanto Bruno Silva se preparava para alçar a bola na área, três jogadores do Vasco apreciavam a movimentação do alvinegro. E quando aconteceu o cruzamento, Paulão e Breno eram os responsáveis por interceptar a bola e marcar os finalizadores. Apenas Roger se colocou no caminho da bola. Breno não marcava ninguém e só admirava a bola. Paulão ficou olhando Roger avançar porque se distraiu com a bola no ar. Resultado: Roger passou no meio dos dois zagueiros e desviou para o gol de Martin Silva. Falha grave.
O segundo tento do Botafogo surgiu em jogada de falta. João Paulo rolou, e Victor Luis acertou um petardo no ângulo esquerdo de Martin Silva. Sem chances para o goleiro. Uma constatação: a barreira vascaína abriu completamente e possibilitou a trajetória da bola, que passou no vão entre o segundo e terceiro homem, da esquerda para a direita. Ou seja, era só cumprir o que se espera de uma barreira.  
E o terceiro gol do clube da Estrela Solitária trouxe novamente a observação da bola. Enquanto a bola viajava, após enfiada de João Paulo, três jogadores vascaínos observavam o itinerário da pelota. Um deles fez o corte para o meio da área, onde Roger, completamente desmarcado, com um Paulão à certa distância, esperava para disparar e confirmar a vitória elástica e sem contestações do Botafogo.

O Vasco sofreu vinte gols em nove jogos, obtendo uma média de 2,22 gols/partida. A média do Brasileirão 2017 é de 2,48. A defesa cruzmaltina têm ajudado muito na boa condução desse quadro. O time de São Januário somente não sofreu gols na partida diante do Avaí. Embora a defesa vascaína tenha tentado colaborar, o time catarinense não fez o suficiente para que esse feito fosse obtido. E o que assusta mais é a fala de Milton Mendes, que insiste em dizer que a defesa do Vasco não possui esse grau de inferioridade com relação às outras do torneio. O treinador chegou a negar que seus comandados tivessem a marca de pior defesa do campeonato. Os números não mentem. Sr. Mendes. É preciso assumir os pecados para buscar o céu. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Professor Pardal Mendes

   
    Imaginem que um sujeito chegasse e apregoasse aos quatro ventos que uma roda quadrada, entre outras três rodas, daria um maior desempenho a um carro. Muitos teriam bom senso imediato e repudiariam a novidade. E teríamos outros que gostariam de ver a novidade praticada só pelo prazer de observar o novo.
            Na Arena Condá, em Chapecó, o treinador Milton Mendes colocou duas rodas quadradas no carro chamado Vasco. Uma na parte dianteira; outra, na traseira. Alan Cardoso e Nenê atenderam por essas anomalias na estrutura do automóvel.        Ambos foram escalados fora de suas posições. Com o descanso de Luis Fabiano, o técnico optou por dar a missão de finalizar e de ser o homem do comando do ataque a Nenê. Mendes justificou com o argumento de que desejava que Nenê prendesse a bola no ataque. E não seria para finalizar e dar mais qualidade? Posto como meia, o jovem Alan Cardoso foi designado para fechar o corredor esquerdo e revezar com Henrique no apoio.  Falhou miseravelmente e foi substituído aos 22 minutos do primeiro tempo. Saiu revoltado, mas o certo seria nem ter entrado nesse jogo. Culpa do jogador? Não, erro único e exclusivo do comandante.
            O Vasco atua de forma diferente conforme o campo em que joga. Deixa para ser grande quando está em São Januário e se apequena quando se aventura por outras praças. Mesmo quando teve o empate contra a Chapecoense, o Vasco não ameaçou efetivamente o adversário. A igualdade foi um acidente. O time perde os jogos porque deixa de agredir e se comporta como o sparring do boxe. E mesmo adotando um esquema defensivo, os jogadores de combate vascaínos marcam bolas cruzadas, cercam e não travam chutes e cometem pênaltis desnecessários. Paulão e Jean foram exemplos de mera observação nos gols da Chapecoense.
  Quando enfrentou o Corinthians, três jogadores marcavam um cruzamento de Guilherme Arana. Enquanto isso, três atletas encontravam-se em condições de finalizar no gol de Martin Silva. Erros que se repetem a cada jogo.
               É preciso que o treinador padrão FIFA deixe as rodas quadradas de lado e queira a certeza do que é redondo. É preciso ter vontade de vencer para ganhar. Contra Golias, Davi jamais teria a ousadia da pedra se tivesse a cabeça povoada por volantes.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Teste de Tite


Embora pudesse se servir do fator casa, a Austrália optou por enfrentar o Brasil com marcação no campo adversário - até enquanto durou o fôlego - e jogando por uma ou duas bolas de contragolpe. Tanto é verdade que os anfitriões só deram o primeiro chute aos 39 minutos do primeiro tempo. E nem o fato de o Brasil ter aberto o placar aos dez segundos de jogo fez com que os australianos alterassem a tática.
Quanto ao Brasil, para furar esse bloqueio, o ideal seria a presença de mais jogadores com capacidade de drible e improviso. Sem Marcelo, Neymar e Gabriel Jesus, Tite optou por usar Douglas Costa (muito abaixo do que se pode esperar dele), Phillipe Coutinho (outra partidaça em que serviu de maestro para o time) e Diego Souza (bons toques e muito oportunista com seus dois gols). O segredo para a vitória era desequilibrar o ferrolho australiano com dribles e lances de feito. Depois do primeiro gol, o Brasil passou muito tempo trocando passes de um lado ao outro do campo, sem conseguir uma penetração que ameaçasse a meta do selecionado da Oceania. A desaceleração do segundo tempo favoreceu a maior qualidade técnica e física da seleção de Tite. Apesar da fragilidade técnica da Austrália e dos 4 a 0 finais, foi um bom teste para o Brasil sem Neymar e sofrendo uma marcação dura no primeiro tempo. Outro aspecto que pode ter influenciado na timidez da equipe são as vagas que ainda estão abertas para 2018. Ninguém iria querer arriscar e perder a viagem para a Rússia. Isso explica a presença da burocracia e das bolas de segurança que povoaram a primeira fase do jogo. Nesse ponto, Thiago Silva e David Luiz (agora volante) ressuscitaram dos mortos e seguem firmes na briga. E a impressão que se dá é que o goleiro Diego Alves será titular com o tempo. E Diego Souza parece caminhar firme com Neymar, Gabriel Jesus e Douglas Costa. Ao contrário do que aconteceu em 2014, Tite trabalha arduamente para ter um elenco e não depender de uma peça ou duas peças para dar esperança. E não participar da Copa das Confederações é quase um prêmio. A euforia é um ingrediente desnecessário às vésperas de uma tentativa de êxito após uma frustração tão grande quanto foi a Copa do Mundo anterior.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Alex Muralha e a difícil arte de lidar com a rejeição rubro-negra


O goleiro é o único sujeito em um campo de futebol que não possui o benefício do erro. Caso se dê ao luxo de cometer um equívoco, o arqueiro pode influenciar diretamente no resultado de uma partida. Muito mais rápido do que qualquer atleta. E não há goleiro na história do futebol que não tenha cometido lá os seus enganos. Buffon, Dasaev, Banks, Taffarel e mais outros geraram irritação nas arquibancadas da vida. Frangos, golpes de vista, saídas de gol desastrosas, recuadas inapropriadas e pênaltis desnecessários são alguns dos itens que geram o uivo do torcedor.
Até o ano passado, Alex Muralha, do Flamengo, tinha a sua convocação defendida pelos rubro-negros e não possuía grandes rejeições por parte dos adversários. A edição do Campeonato Brasileiro de 2017 vem mudando essa questão, pois o atleta cometeu erros imperdoáveis pela ótica da torcida. Para ser mais exato, o amor começou a acabar na derrota por 2 a 1 para o Atlético-PR, em abril, pela Libertadores. Em um posicionamento equivocado, o goleiro permitiu que a bola cabeceada por Thiago Heleno, que seria facilmente defensável, caso ele estivesse debaixo das traves, se convertesse em gol. Isso abriu caminho para a vitória do time paranaense e incitou a fúria dos torcedores cariocas. Desde então, qualquer deslize do atleta é premiado com críticas e apupos de todos os níveis. E a situação ganhou contornos de drama na noite de ontem, quando os comandados do técnico José Ricardo enfrentaram o Sport, pela quinta rodada do Brasileirão. Foram dois erros crassos de Muralha. Um deles resultou em uma falta indireta; o outro, acabou em um belo gol do ponta Osvaldo.
Como se já não bastasse o tratamento da torcida, a mídia especula um novo goleiro a todo instante. Nomes como Muslera, Walter, Julio César e Ochoa já foram ventilados como objeto de desejo do time da Gávea. A perda da autoestima é visível. Não há jogador que resista ao fato de ser malvisto em seu clube.

Alex Muralha é um bom jogador na posição que exerce, mas não é nenhum craque das traves. Talvez o problema tenha sido dar-lhe status de selecionável e exigir muito mais dele do que seria normal. Coisa muito habitual quando trata do Flamengo. No momento em que veio para o clube, o atleta tentava tomar a posição de Paulo Victor, prata da casa. Os goleiros tinham níveis e momentos semelhantes na disputa da vaga, mas já havia um desgaste com falhas do antigo titular. O mesmo tipo de desgaste de deterioração gerada agora na titularidade de Muralha. É um Nenhum dos nomes pressupostos como negociáveis são muito melhores do que o jogador que já defende as cores do rubro-negro. É uma questão de melhorar a cabeça e de dar uma trégua ao profissional para trabalhar. Crucificar é um gesto que já gerou o maior engano da história da humanidade. Uns jogos para dar descanso de imagem seria o mais recomendável.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

SOS Futebol Brasileiro

 Resultado de imagem para Não a espanholização do Futebol Brasileiro



“Um adversário fraco, te enfraquece; Um concorrente burro, te emburrece; Uma oposição frágil, fragiliza um governo.”.
 Mário Sergio Cortella


Faz muito tempo que o futebol brasileiro não vive. Sobrevive. Dívidas surreais, concorrência desleal com o mercado internacional, crises políticas e má gestão são apenas alguns dos maiores problemas do nosso esporte mais popular.
Viável seria um “pensamento de condomínio”, no qual todos agem coletivamente e saiam da situação precária em que se encontram. Só com a união dos grandes clubes, focados no bem comum, onde todos tenham qualidade para competir mais intensamente em alto nível. Atitudes isoladas, ao estilo “farinha pouca, meu pirão primeiro”, impedem uma verdadeira união. Gol contra.
A tida “espanholização”, que sistematicamente ameaça a combalida qualidade dos nossos clubes, apresenta-se como o tiro de misericórdia na eterna retomada do crescimento do nosso futebol.
Não se questiona o tamanho de torcidas e que as emissoras tenham mais interesse em transmitir (ou “entubar”) seus jogos. Em um país do tamanho do Brasil colocar um funil tão estreito é jogar para o ostracismo uma parte importante da história. Um sistema justo e respeitável seria o que premiasse a qualidade técnica. Quanto melhor a colocação na temporada anterior, maior seria a premiação na temporada seguinte. Algo diferente disto, torna-se “patrocínio velado” e desleal com os demais. Prevalece a afinidade e interesses pessoais. Cota de TV não pode ser tratada como patrocínio, que mais recebe quem tem maior (e melhor) exposição.
Para melhorar o campeonato não basta apenas seu clube ter um bom elenco e este fato alguns dirigentes fingem não entender. O que faz o nível subir é uma grande quantidade de clubes competitivos, mas sistematicamente jogar contra adversários fracos irá mascarar seus defeitos e criar expectativas frustradas diante de adversários mais fortes ou simplesmente mais organizados.
Depois, não adianta culpar o treinador ou pegar no pé do seu “pior jogador de estimação”.



Sergio Henrique Homem –Rio de Janeiro 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Tinha um Mano no meio do caminho


            A Chapecoense precisava de apenas um gol para ficar com a vaga no confronto com o Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Em um dado momento, Reinaldo, do time anfitrião, se preparava para alçar um lateral na área celeste. Foi quase interrompido por um corpo estranho. Até riu de nervoso quando identificou o objeto.
Drummond ainda pôde dizer que tinha uma pedra no meio do caminho. As pedras que figuravam no sul do país tinham o ardil de se colocar no meio do caminho para conseguir algum benefício. Com alguma surpresa, as retinas fatigadas do atleta de Chapecó acabaram esbarrando não com uma poética rocha, mas sim com um bruto Mano Menezes, que insinuou o bloqueio do itinerário do defensor alviverde. E no meio do caminho tinha um antijogo.

            Réu confesso, o comandante do Cruzeiro afirmou que deu um passo deliberado para o lado a fim de atrapalhar o adversário. E ainda descreveu o lance como se fosse parte do jogo. Um líder se constrói pelos gestos do dia a dia, com exemplos de vivência. Ainda que pareça uma tática pueril, besta, a atitude de Mano exala desonestidade e inspira o elenco pelo lado negativo. Chega a ser bizarro ver o lance. Eu mesmo precisei assistir umas cinco vezes para ter certeza de que o treinador gaúcho havia cometido tamanho gesto grotesco. E pior ainda foi constatar que o próprio técnico não teve pudores em confessar o exótico crime. E eu nunca me esquecerei desse acontecimento.

Para quem não viu a cena: Tinha um Mano no meio do caminho